Como medir uma peça partida para a mandar reproduzir

Uma peça partida ainda tem quase toda a informação de que precisamos. O problema não é medir mal — é medir as coisas erradas e ficar sem as que decidem se a peça encaixa.

Equipa Aresta · · peças de substituição, medição, engenharia inversa

As fotografias de peças partidas chegam-nos quase sempre com a mesma pergunta — «conseguem fazer isto?» — e quase sempre sem a informação que decide a resposta.

A boa notícia é que uma peça partida guarda quase tudo. Mesmo em três pedaços, mesmo com uma orelha em falta. O que costuma faltar não são as medidas difíceis: são três ou quatro medidas simples que ninguém pensa em tirar.

As medidas que decidem tudo

Não são as maiores. São as que tocam noutra coisa.

Numa peça há medidas que só têm de estar aproximadamente certas — o comprimento de um braço, a altura de uma aba, a espessura de uma parede que não encosta a nada. E há medidas de interface: o diâmetro de um furo onde entra um parafuso, a distância entre dois furos, a largura de uma ranhura que desliza num carril, o diâmetro do veio onde a peça encaixa.

Se uma medida de interface estiver 0,3 mm errada, a peça não monta. Se uma medida livre estiver 2 mm errada, ninguém repara.

Meça primeiro tudo o que toca noutra coisa. É essa a lista.

Tipo de medidaExemplosPrecisão necessária
Interfacefuros, veios, ranhuras, entre-eixosa melhor que conseguir
Formacomprimento total, altura, contorno±1 mm chega
Estéticaraios de canto, chanfros, nervurasfotografia chega

Sem paquímetro, com o que tem em casa

Um paquímetro digital custa menos de vinte euros e é o melhor investimento de quem faz isto mais do que uma vez. Mas não é obrigatório.

Uma régua e uma fotografia de topo resolvem mais do que parece. Pouse a peça numa folha quadriculada ou ao lado de uma régua, fotografe de cima, a direito, com a câmara paralela à peça — não de lado, não em ângulo — e envie. Com uma referência de escala na mesma fotografia, tiramos o contorno com boa aproximação.

Para furos, o truque é a broca. Se tem uma caixa de brocas, veja qual entra justa: uma broca de 6 mm que entra sem folga diz mais do que uma régua encostada ao furo. O mesmo com parafusos — «entra um M4 e abana, um M5 não entra» é informação utilizável.

Para entre-eixos — a distância entre dois furos — meça de centro a centro se conseguir. Se não, meça de bordo interior a bordo interior e diga-nos o diâmetro: fazemos a conta.

Para espessuras, uma moeda serve de referência. Uma moeda de 1 euro tem 2,33 mm de espessura; uma de 2 euros, 2,20 mm. Fotografe a peça de perfil com a moeda ao lado.

O que não é preciso medir

Poupa tempo saber isto.

  • Raios de canto e chanfros. Reconstruímos a partir da fotografia, e não mudam se a peça encaixa.
  • Nervuras de reforço. A forma exata não interessa; interessa onde estão e para que servem.
  • Texturas de superfície. Não se reproduzem da mesma maneira em FDM, e são cosmética.
  • A cor. Escolhe-se no orçamento, e não tem de ser a original.

O pedaço que falta

A pergunta mais comum: «falta um bocado — ainda dá?»

Quase sempre dá, e por duas razões.

A primeira é a simetria. A maioria das peças moldadas é simétrica em pelo menos um eixo. Se partiu a orelha esquerda e a direita está inteira, temos a orelha esquerda.

A segunda é o contexto. Se a peça encaixa nalgum sítio, esse sítio tem a forma da peça. Fotografias do alojamento vazio — o lugar de onde a peça saiu — valem tanto como a própria peça.

Onde não dá é quando falta uma interface e não há simetria nem contexto: um furo único numa zona partida, sem nada que diga onde ele estava. Aí é preciso o desenho original, ou uma peça igual emprestada.

Fotografar bem custa dois minutos

Quatro fotografias resolvem quase todos os casos:

  1. De cima, a direito, com régua ou objecto de escala ao lado.
  2. De perfil, para as espessuras.
  3. A zona de encaixe em plano aproximado — furos, ranhuras, dentes.
  4. O sítio onde a peça vive, com ela fora.

Luz difusa, sem flash, sobre fundo liso e de cor contrastante. Uma peça preta sobre uma bancada preta é a fotografia que não dá para usar.

O que fazemos com isso

Desenhamos a peça de raiz num modelo tridimensional, imprimimos uma primeira unidade de prova, e é essa que confirma se as medidas de interface estão certas. Só depois se produzem as restantes, se forem várias.

Essa primeira peça é deliberada. Numa reprodução a partir de medidas, a probabilidade de acertar em todas as cotas à primeira não é cem por cento — e é mais barato descobrir isso numa peça do que em vinte.

O material não é o mesmo, e às vezes é melhor

A peça original é quase sempre moldada por injeção, e o material dela nem sempre é o que convém. Uma peça de electrodoméstico que amoleceu com o calor não deve ser reproduzida no mesmo plástico que amoleceu.

Por isso a conversa útil não é sobre o material antigo: é sobre o que a peça faz e onde vive. Se aquece, se apanha sol, se leva esforço, se toca em água ou em produtos de limpeza. Escolhemos a partir da função — veja as 12 famílias que produzimos para uma ideia do que há disponível.

O que enviar

Para respondermos com preço e prazo:

  • as quatro fotografias;
  • as medidas de interface que conseguiu tirar, com a forma como as tirou («broca de 6 entra justa» é uma medida);
  • o que a peça faz e onde está montada;
  • quantas precisa.

Sem modelo tridimensional, o desenho é um serviço à parte — está descrito em modelação 3D e em engenharia inversa. Se já tem o modelo feito, o orçamento sai no ecrã.

Tem uma peça para imprimir?

Carregue o ficheiro e veja o preço no mesmo ecrã.