Materiais

PETG para impressão 3D

O material por omissão para peças que têm de trabalhar. Dobra antes de partir.

Polietileno tereftalato glicol

Se nos perguntam qual o material para uma peça funcional e não há nenhuma condição especial, a resposta é PETG. É o compromisso mais equilibrado entre custo, resistência e facilidade de impressão.

A diferença mais importante face ao PLA não está na temperatura, está no modo de falha. O PLA parte de forma frágil, sem aviso: um estalo e a peça está em dois pedaços. O PETG deforma-se antes de ceder, o que dá margem para detetar o problema e substituir a peça antes de ela falhar por completo. Numa peça que sustenta alguma coisa, isso importa mais do que o número da resistência à tração.

Resiste bem à água e a produtos de limpeza domésticos, e a adesão entre camadas é das melhores que se conseguem em FDM — a peça é menos anisotrópica, ou seja, a diferença de resistência entre a direção vertical e as outras duas é menor.

Propriedades

Propriedades técnicas do PETG
Temperatura máxima de serviço ~75 °C
Densidade 1,27 g/cm³
Rigidez Média-alta
Resistência ao impacto Boa Deforma antes de partir.
Adesão entre camadas Muito boa Peça menos frágil na direção vertical.
Resistência à água Boa
Resistência a UV Média
Precisa de câmara aquecida Não

Escolha PETG quando

  • A peça vai ser usada, não só olhada: suportes, caixas, guias, apoios.
  • Vai apanhar humidade ou ser lavada com frequência.
  • Precisa de alguma resistência ao impacto sem pagar policarbonato.
  • É uma peça de substituição para um eletrodoméstico que não aquece.

Evite quando

  • A peça passa dos 75 °C — junto a um motor, num forno, numa conduta de ar quente.
  • Vai estar exposta ao sol durante anos: prefira ASA.
  • Precisa de detalhe muito fino em superfície visível — o PETG tende a deixar fios.

Onde se usa

  • Peças de substituição domésticas

    Puxadores, suportes de prateleira de frigorífico, tampas, engates. É o pedido que mais recebemos.

  • Caixas e proteções

    Caixas de eletrónica que não aquece, tampas de proteção, guardas de máquina.

  • Guias de corte e gabaritos

    Aguentam o manuseamento repetido de oficina sem lascar.

  • Peças de exterior de vida curta a média

    Suportes de sensor, caixas de rega, apoios de estufa.

Como imprimimos PETG

  • Tende a deixar fios finos entre partes separadas da peça. Removem-se, mas em superfícies muito visíveis é uma diferença face ao PLA.
  • Adere muito bem à base — por vezes bem de mais. Usamos separador para não danificar a superfície da placa.
  • Não amarelece à primeira exposição solar, mas ao fim de estações ao ar livre perde propriedades.
  • Cola com cianoacrilato. Lixa melhor do que o PLA, sem empastar tanto.

Como desenhar para PETG

  • Deixe 0,2 mm de folga em encaixes. Para um furo de 10,0 mm, desenhe a haste com 9,8 mm.
  • Paredes a partir de 1,2 mm chegam para a maioria das peças funcionais; 2 mm para peças que sustentam.
  • Arredonde os cantos interiores. Um canto vivo concentra tensão e é por aí que a peça cede.
  • Em superfícies muito visíveis, oriente a peça para que a face importante não fique virada para os suportes.

PETG comparado

PETG ou PLA?

Custam praticamente o mesmo. O PLA dá melhor detalhe visual; o PETG aguenta mais calor e não parte de forma frágil. Para qualquer peça com função, escolha PETG.

Ver a ficha do PLA

PETG ou ABS?

O ABS aguenta mais 25 °C e aceita alisamento com acetona, mas exige câmara fechada e empena com mais facilidade. Se 75 °C chegam, o PETG dá menos trabalho e falha menos.

Ver a ficha do ABS

Perguntas sobre PETG

O PETG pode tocar em comida?

Temos uma gama de PETG conforme com a norma alimentar. O material base é adequado, mas as ranhuras entre camadas retêm bactérias e são difíceis de higienizar — para uso repetido com alimentos, isso é a limitação real, não o polímero.

Aguenta água quente?

Água morna sim. Acima dos 70 °C a peça começa a amolecer, por isso não vai à máquina de lavar loiça.

Qual a diferença entre PET e PETG?

O G é de glicol, um aditivo que impede o polímero de cristalizar ao arrefecer. Sem ele, o PET fica opaco e quebradiço na impressão. O PET técnico que também imprimimos é mais rígido e aguenta um pouco mais de temperatura, mas é mais difícil de processar.