Enchimento e paredes: o que mudam no preço e na resistência

Quase toda a gente pede mais enchimento quando quer uma peça mais forte. É o parâmetro errado — quem carrega a peça são as paredes.

Equipa Aresta · · enchimento, paredes, resistência, custos

Quando alguém nos pede uma peça mais resistente, o pedido vem quase sempre na mesma forma: «ponha o enchimento a 100 %».

É o parâmetro errado. Explica-se melhor com uma comparação que toda a gente já tem na cabeça: uma peça impressa é um osso, não um tijolo. A casca é que aguenta, e o miolo lá dentro serve sobretudo para a casca não se afundar.

O que é cada coisa

Uma peça impressa em FDM tem três partes:

As paredes, ou perímetros. São as linhas contínuas que o bico deposita a contornar o exterior de cada camada. Usamos três por omissão, o que dá cerca de 1,2 mm de espessura sólida.

O topo e o fundo. Camadas cheias em cima e em baixo, que fecham a peça.

O enchimento. A estrutura interna, normalmente uma grelha, que ocupa uma percentagem do espaço vazio. Usamos 15 % por omissão, e 20 % nas peças do catálogo.

Porque é que o enchimento não faz o que parece

Numa peça que dobra — e quase todas dobram, mesmo as que não parecem —, a tensão concentra-se na superfície. As fibras exteriores esticam de um lado e comprimem do outro; no centro, a tensão é praticamente nula. É a mesma razão pela qual um tubo de aço aguenta quase tanto como uma barra maciça do mesmo diâmetro, pesando uma fração.

Isto tem uma consequência prática que vale a pena guardar:

  • Subir o enchimento de 15 % para 50 % aumenta a resistência à flexão numa margem pequena, e aumenta o preço e o tempo bastante mais.
  • Subir as paredes de três para cinco aumenta a resistência de forma muito mais visível, e gasta menos plástico do que a subida de enchimento acima.

Onde é que o enchimento conta mesmo:

Compressão. Uma peça que leva peso em cima — um pé de mesa, um calço — trabalha ao contrário, e aí o miolo carrega mesmo.

Roscas e insertos. Um furo roscado precisa de material sólido à volta, e o enchimento é o que o dá.

Superfícies grandes e planas. As camadas de topo têm de assentar em cima de alguma coisa. Com enchimento a menos, ficam a atravessar vãos grandes e afundam — vê-se como uma ondulação no acabamento.

Peso e som. Uma peça a 100 % é mais pesada e soa a maciço. Às vezes é isso que se quer, e é uma razão legítima.

O que isto custa

O preço acompanha a massa e o tempo de máquina, e o enchimento mexe nos dois. Como ordem de grandeza, numa peça de tamanho médio:

  • 15 % — o que usamos por omissão. Serve a esmagadora maioria das peças.
  • 25 a 30 % — peças que levam carga ou que vão ser aparafusadas.
  • 50 % — peças de compressão, ou onde o peso é desejado.
  • 100 % — raramente vale a pena. O plástico e o tempo sobem muito, a resistência à flexão sobe pouco, e a peça fica mais sujeita a empenar, porque há mais material a arrefecer e a contrair lá dentro.

Se está a decidir entre pagar mais por enchimento ou por paredes, pague por paredes. É quase sempre o melhor negócio.

O que decide mesmo a resistência

Nenhum destes parâmetros é o factor principal. O factor principal é a orientação.

Uma peça impressa é forte no plano de cada camada e fraca na direção em que as camadas se colam umas às outras. Uma peça deitada e a mesma peça de pé podem diferir por um factor de dois ou três na força que aguentam antes de partir, com exatamente o mesmo enchimento e as mesmas paredes.

É por isso que, quando alguém nos manda uma peça que já partiu uma vez, a primeira coisa que olhamos não é o enchimento — é a direção da fratura. A fratura diz quase sempre que a peça foi impressa na orientação errada.

O que fazemos com isto

Por omissão imprimimos com o nosso perfil de produção: três paredes, 15 % de enchimento, camada de 0,2 mm. É o que serve a maioria das peças e é o que está no preço que aparece no ecrã.

Se quiser decidir estes valores, o configurador tem modo profissional e o preço acompanha a escolha. E se souber o que a peça vai aguentar mas não souber traduzir isso em parâmetros, diga-nos o que a peça faz e onde é que leva força — é informação mais útil do que uma percentagem, e é com ela que decidimos a orientação.

Na área técnica pode ver, no seu próprio ficheiro, as quatro orientações possíveis e o que cada uma custa em tempo e em material. É a forma mais rápida de perceber a diferença sem ter de acreditar em nós.

Tem uma peça para imprimir?

Carregue o ficheiro e veja o preço no mesmo ecrã.