Equipa Aresta · · ficheiros, STL, 3MF, STEP, CAD
Aceitamos os três e todos dão preço no ecrã. Mas não são equivalentes, e a escolha tem consequências práticas — sobretudo numa coisa aparentemente banal: saber em que unidade a peça foi desenhada.
STL: o mais comum, e o mais desprotegido
O STL descreve a superfície da peça como uma malha de triângulos. É o formato que toda a gente conhece, todos os programas o exportam, e funciona.
O problema é o que ele não guarda: unidades. Um STL é uma lista de números sem dizer se são milímetros, centímetros, polegadas ou metros. Cabe a quem o recebe adivinhar.
Isto não é teórico. Num lote que analisámos, nove ficheiros vinham em metros sem o dizerem. Uma peça de 40 mm desenhada em metros chega como um número que, lido em milímetros, dá 0,04 — uma peça microscópica. No sentido contrário é pior: um ficheiro em polegadas lido como milímetros dá uma peça 25 vezes maior, que ou não cabe na mesa ou consome um rolo inteiro de plástico.
Por isso o nosso configurador pergunta a unidade quando recebe um STL, e avisa quando o tamanho resultante parece implausível. É uma pergunta a mais que o formato nos obriga a fazer.
O STL tem outra limitação: a superfície é aproximada por triângulos. Um cilindro perfeito passa a ter arestas. Com uma malha fina isso é invisível, mas se exportar com pouca resolução, os furos redondos saem poligonais — e um furo poligonal de 10 mm não encaixa num veio de 10 mm.
3MF: o que devia ser o normal
O 3MF é um ZIP com a geometria descrita em XML. Faz tudo o que o STL faz e acrescenta o que falta ao STL, a começar pela unidade: o ficheiro declara em que unidade foi desenhado.
É o formato que preferimos receber, e a razão é só essa. Nesse mesmo lote em que nove STL vinham em metros sem o dizerem, um 3MF vinha em centímetros e disse-o. Não houve pergunta, não houve engano, não houve peça errada.
O 3MF guarda ainda cor, materiais por região e transformações — coisas que interessam se a peça for multicor. E é lido pelos mesmos programas que exportam STL: no SolidWorks, no Fusion, no Onshape, no FreeCAD e no Blender está na mesma lista de formatos, uma linha abaixo.
Se tem de escolher um, escolha este.
STEP: geometria exata, sem facetas
O STEP é outra família. Não descreve triângulos — descreve as superfícies matemáticas que definem a peça. Um cilindro é um cilindro, não uma aproximação com duzentos lados.
É o que preferimos para peça técnica com cotas apertadas, e por três razões:
Não há facetas. Um furo de 10,00 mm é 10,00 mm, e não 9,94 mm por causa da resolução com que foi exportado.
É editável. Se a peça precisar de uma alteração — mais folga num encaixe, um chanfro, uma espessura diferente — um STEP altera-se. Um STL, na prática, não: é uma casca de triângulos sem histórico de desenho.
Vem sempre com unidades. Como o 3MF.
O STEP passa por uma conversão do nosso lado antes de ser fatiado, o que acrescenta uns segundos ao orçamento. É a única diferença que vai notar.
Qual exportar
Se está a desenhar num programa de CAD paramétrico — SolidWorks, Fusion 360, Onshape, Inventor, FreeCAD — e a peça é técnica, com encaixes ou cotas que têm de bater certo: STEP.
Se está a desenhar num programa de malha — Blender, ZBrush, Tinkercad — ou a peça é decorativa: 3MF.
Se só tem um STL porque foi o que descarregou ou o que lhe deram: serve. Diga-nos a unidade e nós confirmamos o tamanho antes de imprimir.
Alguns cuidados na exportação
Resolução, se for STL. Nos programas de CAD há normalmente um controlo de desvio ou tolerância na exportação. Um desvio de 0,01 mm dá uma malha limpa; os valores por omissão costumam ser mais grosseiros do que isso.
Uma peça por ficheiro, salvo se forem para ser impressas juntas e já estiverem posicionadas.
A peça tem de ser sólida e fechada. Superfícies abertas, faces invertidas e geometria que se auto-interseta são as três causas de um ficheiro ser recusado, e há um guia só sobre isso.
Cabe em 350 × 350 × 350 mm. Acima disso dividimos e colamos, mas convém decidirmos juntos onde é que a divisão passa.
E se não tiver ficheiro nenhum
É o caso mais comum de todos, e não é problema. Desenhamos a peça de raiz a partir de uma fotografia, de medidas ou de um exemplar avariado — há um guia sobre o que medir e como fotografar.
O que sai desse trabalho é um STEP, que fica seu. Se um dia precisar de outra unidade, ou de a alterar, já tem por onde.