Acabamento de peças impressas: suportes, lixa e pintura

Uma peça sai da máquina com suportes agarrados e linhas de camada visíveis. O que fazer a seguir depende do material — e do que a peça vai ser.

Equipa Aresta · · acabamento, suportes, pintura, pós-processamento

As peças seguem daqui como saem da máquina, com os suportes agarrados. É uma escolha nossa e vale a pena dizer porquê: a remoção é destrutiva e irreversível, e quem tem a peça na mão vê melhor do que nós o que é aresta funcional e o que é rebarba. Preferimos que essa decisão seja de quem vai usar a peça.

O acabamento feito por nós — remoção de suportes, limpeza e lixagem — está para breve, e pintura não fazemos. Até lá, este guia é o que sabemos.

Remover os suportes

Os suportes são estruturas finas que a máquina constrói por baixo de partes suspensas, para elas não caírem no ar. Estão desenhados para partir — o contacto com a peça é deliberadamente fraco.

Ferramentas. Um alicate de corte de pontas finas, do tipo que se usa em eletrónica, e um x-acto. Uma lima de agulha ajuda nos sítios apertados.

Ordem. Comece pelos blocos grandes e afastados da peça, que saem quase sozinhos. Deixe para o fim o que está encostado a superfícies visíveis.

Não puxe — corte. A tentação é agarrar e arrancar. Numa peça em PLA, arrancar leva atrás um pedaço da parede, e o buraco que fica não se recupera. Corte o suporte rente e depois limpe o que sobrar.

O calor ajuda. Um secador de cabelo a aquecer a zona torna o plástico menos quebradiço e o suporte sai mais limpo. Não precisa de muito: uma peça em PLA amolece por volta dos 60 °C, o que é menos do que parece.

Onde há detalhe fino, troque o alicate pelo x-acto e faça vários cortes pequenos em vez de um grande.

Depois de tirar tudo fica quase sempre uma marca — uma zona ligeiramente rugosa onde o suporte tocava. É normal e é o passo seguinte que a resolve.

Lixar

Lixar plástico impresso não é como lixar madeira: o objetivo não é tirar material, é uniformizar a superfície.

Comece pela lixa certa. Para marcas de suporte e linhas de camada bem visíveis, comece em P180 ou P240. Se começar mais fino, está a perder tempo; se começar mais grosso, faz riscos que depois tem de tirar.

Suba por etapas. P240, P400, P800. Cada etapa só tem de tirar os riscos da anterior — quando deixar de ver riscos do grão anterior, mude.

A água muda tudo. A partir do P400, lixar com a lixa molhada evita que o plástico aqueça, se derreta e empaste a lixa. Um pouco de água e uma gota de detergente chega.

Não force. Pressão a mais aquece o plástico localmente e deforma a superfície em vez de a alisar. Movimentos leves e muitos.

Se a peça vai ser pintada, pare no P400 — uma superfície demasiado lisa agarra pior a tinta.

Pintar

Aqui é onde a maioria das pessoas falha, e falha sempre no mesmo sítio: pinta sem primário e a tinta descasca uma semana depois.

O primário não é opcional. Um primário em spray para plástico é o que faz a ponte entre o polímero e a tinta. Aplique duas camadas finas, deixando secar entre elas.

Camadas finas, sempre. Uma camada grossa escorre, esconde detalhe e demora dias a curar por dentro. Três camadas finas ficam melhor do que uma grossa, e ficam melhor mais depressa.

O primário revela os defeitos. É meio ponto a favor: depois da primeira camada de primário vê-se tudo o que a lixa deixou passar. Lixe outra vez, aplique de novo, e só depois pinte.

Verniz no fim, se a peça vai ser manuseada. Protege a tinta e uniformiza o brilho.

Cuidado com o ABS e os solventes. O ABS dissolve-se em acetona, o que é uma técnica de alisamento conhecida — mas é fácil passar do ponto e perder detalhe e cotas. Se a peça tem encaixes, não faça isso.

O que muda conforme o material

PLA. Lixa bem e pinta bem. É quebradiço, por isso é o que mais parte na remoção dos suportes — vá devagar.

PETG. É mole e tenaz. Não parte, mas empasta a lixa com facilidade: lixe sempre molhado e com grão mais grosso do que usaria em PLA.

ABS e ASA. Os melhores para acabar. Lixam bem, pintam bem e aguentam calor, por isso o secador é uma ajuda mais segura aqui.

TPU. Flexível. Não se lixa de forma útil e a tinta racha com a peça a dobrar. Aceite-a como sai.

Materiais com fibra — PLA-CF, PET-CF, ABS-GF. Superfície mate e ligeiramente áspera, que muita gente prefere sem tratamento nenhum. Lixá-los expõe fibra à superfície; use máscara e lixe molhado.

Quando não vale a pena

Se a peça é funcional e vive escondida — dentro de um equipamento, atrás de um painel, debaixo de uma bancada — o acabamento não lhe acrescenta nada, e há um argumento contra: lixar tira material, e numa cota apertada pode tirar o suficiente para o encaixe deixar de servir.

Nesse caso, tire os suportes, limpe as marcas com o x-acto e fique por aí.

Se em vez de acabar a peça preferir que ela saia melhor da máquina, o caminho é outro: baixar a altura de camada e escolher a orientação de modo a que as superfícies visíveis não precisem de suporte nenhum. Fica mais caro em tempo de máquina e poupa-lhe a tarde de lixa — é uma troca que se pode ver antes de decidir.

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