Equipa Aresta · · multicor, cores, custos
Fazemos peças em várias cores na mesma impressão. Vale a pena explicar como funciona, porque a forma como funciona explica tudo o resto — o preço, o tamanho máximo e as situações em que desaconselhamos.
Como se troca de cor numa máquina FDM
Uma impressora de filamento tem um bico. Um só. Para mudar de cor, o filamento que lá está tem de sair e o novo tem de entrar — e entre uma coisa e outra o bico está cheio da cor anterior.
Se a máquina começasse a imprimir logo, as primeiras linhas da cor nova sairiam manchadas com a antiga. Por isso, a cada troca, a máquina purga: extrude material para fora da peça até o bico estar limpo.
Esse material vai fora. É plástico comprado, derretido e deitado no lixo, e é o preço real da multicor.
O que isso custa
Três coisas, e é importante saber quais.
Plástico. Cada purga gasta alguns gramas. Numa peça com cinco trocas de cor, é pouco. Numa peça em que o desenho alterna cores em muitas camadas, as purgas somam — e há peças onde o plástico purgado passa o plástico da própria peça.
Tempo. Cada troca demora. Uma peça com trocas em duzentas camadas passa uma parte considerável do tempo a fazer purgas em vez de fazer peça, e o tempo de máquina é o que mais pesa no preço.
Mesa. A torre de purga ocupa espaço na mesa ao lado da peça. É por isso que em multicor o tamanho máximo baixa de 350 para 300 mm de lado.
Onde compensa, e onde não
Compensa quando as cores estão separadas por altura. Uma peça com a base numa cor e o topo noutra tem uma troca. Uma só. O custo extra é praticamente nada e o resultado é excelente.
Compensa em letras e logótipos gravados numa face. Umas quantas camadas com duas cores, o resto a uma cor.
Compensa em peças pequenas com duas ou três cores bem arrumadas.
Não compensa quando as cores se misturam ao longo de toda a altura. Uma peça em que cada camada tem quatro cores é uma peça em que a máquina passa a vida a purgar. O preço sobe muito e o tempo sobe mais.
Não compensa em peças grandes com muitas trocas. Aqui somam-se os dois problemas: muito plástico purgado e menos mesa disponível.
Em muitos destes casos há um caminho melhor: imprimir em peças separadas, cada uma na sua cor, e montar. Sai mais barato, mais rápido, e as cores ficam mais limpas — não há qualquer arrastamento entre elas.
Em que materiais
A multicor está disponível nos materiais correntes — PLA e as suas variantes, PETG, PET técnico, ABS, ASA — e no PLA-CF e no PA-CF.
O que fica de fora são os materiais que exigem condições próprias e não convivem bem com trocas frequentes. Se estiver na dúvida, o configurador mostra a opção de multicor apenas nos materiais onde ela existe.
Como pedir
O ficheiro tem de dizer que zona é que leva que cor, e é aqui que o formato importa: o 3MF guarda essa informação e o STL não. Um STL é uma malha só, sem regiões — as diferenças entre os formatos estão neste guia.
Há duas maneiras de o resolver:
Enviar um 3MF com as cores já atribuídas. É o caminho limpo.
Enviar a peça dividida em corpos separados, um por cor, e dizer-nos qual é qual. Também funciona.
Se enviar um STL simples e escrever no pedido «a base em preto e o texto em laranja», isso chega para nós percebermos — mas obriga-nos a separar a geometria à mão, e esse trabalho entra no preço.
Uma nota sobre as cores
As amostras que aparecem no ecrã são aproximadas. O tom real varia com o lote do filamento e com o ecrã em que está a olhar, e um laranja num monitor não é o mesmo laranja noutro.
Se a cor for crítica — porque tem de acompanhar uma peça existente, ou uma imagem de marca — diga-nos antes de encomendar. Temos amostras impressas e conseguimos dizer-lhe qual é a mais próxima daquilo que precisa, o que é bastante mais fiável do que um quadrado de cor num ecrã.